sábado, 26 de janeiro de 2013

POSITIVISMO



O que é o POSITIVISMO?


Michael Löwy define o positivismo como uma proposição teórico-metodológica que considera que a sociedade assim como as ciências exatas (matemática, física, química, biologia, etc.) é definida por leis naturais.
“a sociedade humana é regulada por leis naturais, ou por leis que tem todas as características das leis naturais, invariáveis, independentes da vontade e da ação humana. [...] A pressuposição fundamental do positivismo é de que essas leis que regulam o funcionamento da vida social, econômica e política, são do mesmo tipo das leis naturais e, portanto o que reina na sociedade é uma harmonia semelhante à da natureza, uma espécie de harmonia natural.” p.36.
Com esta concepção de sociedade, os métodos desenvolvidos para estudá-la devem ser similares aos métodos usados nas ciências naturais.
“Os métodos e procedimentos para conhecer a sociedade são exatamente os mesmos que são utilizados para conhecer a natureza, portanto a metodologia das ciências sociais tem que ser idêntica à metodologia das ciências naturais, posto que o funcionamento da sociedade é regido por leis do mesmo tipo dos da natureza.” p.36.
Por tanto, as ciências sociais devem ser objetivas, neutras, livres de juízos e valor, de ideologias políticas, sociais ou outras, todo esse conjunto de valores é denominado de prejuízos, preconceitos ou prenoções pelo positivismo.
“Da mesma maneira que as ciências da natureza são ciências objetivas, neutras, livres de juízos de valor, de ideologia políticas, sociais ou outras, as ciências sociais devem funcionar exatamente segundo este modelo de objetividade científica.” p. 36.

Como surgiu o POSITIVISMO?


A ideia de ciência da sociedade surge no século XVIII como iluminismo. Nicolas de Condorcet é considerado o pai do positivismo por ser o primeiro a começar a descrever como deveriam ser as ciências sociais. Para ele, as ciências da sociedade deveriam ser tão exatas quanto a própria matemática. Löwy explica:
“Ele era contra o controle do conhecimento social pelas classes dominantes da época, isto é, pela Igreja, pelo poder feudal, pelo Estado monárquico, que se arrogavam o controle de todas as formas de conhecimento científico.” (p.37)
O Conde de Saint-Simon, discípulo de Condorcet, é também considerado como um dos precursores do positivismo. Para Saint-Simon, a ciência da sociedade segue o modelo da fisiologia.
Neste momento, na Europa há uma revolta dentro da sociedade para acabar com o Estado monárquico. Condorcet e Saint-Simon são respostas a todos estes acontecimentos. Por isto, podemos perceber o aspecto utópico e revolucionário de seus pensamentos.
Augusto Comte, discípulo de Saint-Simon, que viveu no século XIX, não concorda com as posturas utópico-críticas de seus antecessores e propõem uma nova visão do positivismo.
Para Augusto Comte, a física social, ou ciência social determina leis regulam a sociedade e que não podem mudar.
 “A física social é uma ciência que tem por objeto o estudo dos fenômenos sociais, considerados no mesmo espírito que os fenômenos astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos.” Isto significa que os fenômenos sociais são submetidos a leis naturais invariáveis; por exemplo a lei de distribuição das riquezas e do poder econômico, que determina  a “indispensável concentração das riquezas na mão de senhores industriais.” (p.39)
O positivismo de Augusto Comte procura manter a ordem pública através da resignação da sociedade que nada pode contra estas leis.
Esta mudança do ponto de vista crítico, utópico, negativo revolucionário para o conservadorismo e legitimação da ordem estabelecida se deve a chegada da burguesia ao poder.
“A partir de 1830, quando a burguesia passa a ser a classe dominante na França. A partir desse momento, ela deixa de ser uma classe contestadora, revolucionária, para se transformar em dominante, conservadora.” (p.40)
Foi Emile Durkheim que transformou o positivismo na perspectiva básica da sociologia, ou da ciência social universitária, acadêmica ou burguesa.
Para ele:
“O objetivo da sociologia era estudar fatos que obedecem às leis sociais, leis invariáveis do mesmo tipo que as naturais, o método científico era o mesmo, bem como a busca da objetividade e da neutralidade.” (p.42)

Max Weber   veio discordar de quase todas as ideias propostas pelo positivismo, concordando em apenas um aspecto o de que as ciências deviam ser livres de juízo de valor. Diferente do que prega o positivismo, defende a ideia de que as ciências sociais e as ciências naturais possuem métodos diferentes. Seus pensamentos foram influenciados por Rickert, que afirma que essas ciências possuem métodos distintos e que não existe ciência social sem valores prévios.
Max é convergente com o pensamento de Rickert quanto à distinção de método e a consideração de que toda ciência implica relação com os valores que servem como princípios investigativos. Porem critica Rickert em sua teoria de que esses valores seriam universais. Weber considerar que os valores são singulares, pois aquilo que é interessante ao conhecimento de um povo, pode não ser para outro. Mesmo defendendo que as ciências sociais devem pressupor de juízo de valores, Max afirma que o cientista deve se libertar dos mesmos ao referirem-se as respostas e analise investigativa. A colaboração de Weber teve grande influencia como critica ao método positivista, mas foi também criticado pela dificuldade em dissociar o juízo de valor da ciência social.

Positivismo e educação

A sociedade sofreu influencias marcantes pelos ideais positivistas, que logo também influenciou a educação, já sabendo que esta é uma atividade social. A sociologia e a psicologia são marcos notáveis do positivismo em sala de aula. Essa vertente ficou conhecida na educação por sua luta pelo ensino da ciência e contrariedade a escola tradicional. Sabendo que o positivismo prega que o estudo humano ganhe cientifização para que se obtenham resultados objetivos, para tal seria necessário que existisse uma neutralidade entre pesquisador e objeto de pesquisa. A presença do positivismo nas instituições de ensino foi relevante na luta contra a escola tradicional e um grande elemento impulsor para que o ensino das ciências nesse âmbito.





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