O que é o POSITIVISMO?
Michael Löwy
define o positivismo
como uma proposição teórico-metodológica que considera que a sociedade
assim como as ciências
exatas (matemática, física, química, biologia, etc.) é definida
por leis
naturais.
“a
sociedade humana é regulada por leis naturais, ou por leis que tem todas as
características das leis naturais, invariáveis, independentes da vontade e da
ação humana. [...] A pressuposição fundamental do positivismo é de que essas
leis que regulam o funcionamento da vida social, econômica e política, são do
mesmo tipo das leis naturais e, portanto o que reina na sociedade é uma
harmonia semelhante à da natureza, uma espécie de harmonia natural.” p.36.
Com
esta concepção de sociedade, os métodos desenvolvidos para estudá-la devem ser
similares aos métodos usados nas ciências naturais.
“Os
métodos e procedimentos para conhecer a sociedade são exatamente os mesmos que
são utilizados para conhecer a natureza, portanto a metodologia das ciências
sociais tem que ser idêntica à metodologia das ciências naturais, posto que o
funcionamento da sociedade é regido por leis do mesmo tipo dos da natureza.”
p.36.
Por
tanto, as ciências sociais devem ser objetivas, neutras, livres de juízos e
valor, de ideologias políticas, sociais ou outras, todo esse conjunto de
valores é denominado de prejuízos, preconceitos ou prenoções pelo positivismo.
“Da
mesma maneira que as ciências da natureza são ciências objetivas, neutras,
livres de juízos de valor, de ideologia políticas, sociais ou outras, as
ciências sociais devem funcionar exatamente segundo este modelo de objetividade
científica.” p. 36.
Como surgiu o POSITIVISMO?
A
ideia de ciência da sociedade surge no século XVIII como iluminismo. Nicolas
de Condorcet é considerado o pai do positivismo por ser o
primeiro a começar a descrever como deveriam ser as ciências sociais. Para ele,
as ciências da sociedade deveriam ser tão exatas quanto a própria matemática. Löwy
explica:
“Ele
era contra o controle do conhecimento social pelas classes dominantes da época,
isto é, pela Igreja, pelo poder feudal,
pelo Estado
monárquico, que se arrogavam o controle de todas as formas de
conhecimento científico.” (p.37)
O
Conde de Saint-Simon, discípulo de Condorcet, é também
considerado como um dos precursores do positivismo. Para Saint-Simon, a ciência
da sociedade segue o modelo da fisiologia.
Neste
momento, na Europa há uma revolta dentro da sociedade para acabar com o Estado
monárquico. Condorcet e Saint-Simon são respostas a todos estes acontecimentos.
Por isto, podemos perceber o aspecto utópico e revolucionário de seus
pensamentos.
Augusto Comte,
discípulo de Saint-Simon, que viveu no século XIX, não concorda com as posturas
utópico-críticas de seus antecessores e propõem uma nova visão do positivismo.
Para
Augusto Comte, a física social, ou ciência social determina leis regulam a sociedade
e que não podem mudar.
“A física
social é uma ciência que tem por objeto o estudo dos fenômenos
sociais, considerados no mesmo espírito que os fenômenos astronômicos, físicos,
químicos e fisiológicos.” Isto significa que os fenômenos sociais são
submetidos a leis naturais invariáveis; por exemplo a lei de distribuição das
riquezas e do poder econômico, que determina
a “indispensável concentração das riquezas na mão de senhores
industriais.” (p.39)
O
positivismo de Augusto Comte procura manter a ordem pública através da
resignação da sociedade que nada pode contra estas leis.
Esta
mudança do ponto de vista crítico, utópico, negativo revolucionário para o
conservadorismo e legitimação da ordem estabelecida se deve a chegada da burguesia ao
poder.
“A
partir de 1830, quando a burguesia passa a ser a classe dominante na França. A
partir desse momento, ela deixa de ser uma classe contestadora, revolucionária,
para se transformar em dominante, conservadora.” (p.40)
Foi Emile Durkheim que
transformou o positivismo na perspectiva básica da sociologia, ou
da ciência social universitária, acadêmica ou burguesa.
Para
ele:
“O
objetivo da sociologia era estudar fatos que obedecem às leis sociais, leis
invariáveis do mesmo tipo que as naturais, o método científico era o mesmo, bem
como a busca da objetividade e da neutralidade.” (p.42)
Max Weber veio discordar de quase
todas as ideias propostas pelo positivismo, concordando em apenas um aspecto o
de que as ciências deviam ser livres de juízo de valor. Diferente do que prega
o positivismo, defende a ideia de que as ciências sociais e as ciências naturais
possuem métodos diferentes. Seus pensamentos foram influenciados por Rickert,
que afirma que essas ciências possuem métodos distintos e que não existe
ciência social sem valores prévios.
Max
é convergente com o pensamento de Rickert quanto à distinção de método e a
consideração de que toda ciência implica relação com os valores que servem como
princípios investigativos. Porem critica Rickert em sua teoria de que esses
valores seriam universais. Weber considerar que os valores são singulares, pois
aquilo que é interessante ao conhecimento de um povo, pode não ser para outro. Mesmo
defendendo que as ciências sociais devem pressupor de juízo de valores, Max
afirma que o cientista deve se libertar dos mesmos ao referirem-se as respostas
e analise investigativa. A colaboração de Weber teve grande influencia como
critica ao método positivista, mas foi também criticado pela dificuldade em
dissociar o juízo de valor da ciência social.
Positivismo
e educação
A sociedade sofreu influencias
marcantes pelos ideais positivistas, que logo também influenciou a
educação, já sabendo que esta é uma atividade social. A sociologia e a
psicologia são
marcos notáveis do positivismo em sala de aula. Essa vertente ficou conhecida
na educação por sua luta pelo ensino da ciência e contrariedade a escola
tradicional. Sabendo que o positivismo prega que o estudo humano ganhe
cientifização para que se obtenham resultados objetivos, para tal seria
necessário que existisse uma neutralidade entre pesquisador e objeto de
pesquisa. A presença do positivismo nas instituições de ensino foi relevante na
luta contra a escola tradicional e um grande elemento impulsor para que o
ensino das ciências nesse âmbito.
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